“A família de Miguel Chikaoka chegou do Japão no início do século passado. Trouxe junto com ela o rigor, a disciplina e o sentimento religioso, qualidades que adquiriram novo sentido, mas foram assimiladas, herdadas e transformadas no decorrer da vida do fotógrafo. Das lembranças de infância e adolescência, Miguel traz consigo as sessões de cinema vividas no cotidiano da comunidade, no barracão, onde toda a família se reunia, e junto aos compatriotas assistiam o drama e a saga dos samurais. Foram esses os seus primeiros heróis, apresentados em um projetor de 16mm”.

Livro

O trecho é parte da pesquisa da crítica de arte e curadora Marisa Mokarzel, presente no livro “Navegante da Luz: Miguel Chikaoka e o navegar de uma produção experimental”, sobre o percurso de vida e das produções artísticas do fotógrafo, disponibilizado gratuitamente no link:

http://issuu.com/kamarakogaleria/docs/navegante_da_luz_issuu.

A autora faz a comparação com a atividade marítima no título, de desbravar mares, não por acaso: Miguel tem uma história de descobertas. Abandonou um doutorado em engenharia depois de seu envolvimento certeiro com a fotografia; depois, saiu de São Paulo, seu estado natal, para a Amazônia paraense, fixando residência em Belém em 1980.

O entrelaçar dessas escolhas e da vida que se seguiu após esses fatos são descritos de forma poética pela autora, que relembra também as próprias memórias de além-mar – já que sua família tem origem libanesa. Em uma narrativa leve, mesmo com referências acadêmicas, Marisa apresenta o desconhecido, o pouco falado. A pesquisa durou meses até que a autora conseguisse reunir os dados que procurava. Um exemplo é a referência para Miguel do filme “Dodeskaden” (O Caminho da Vida), de Akira Kurosawa, lançado em 1970 no Brasil, visto por ele no projetor, citado anteriormente.

“Chikaoka relata que esse foi seu primeiro momento de questionamento em relação ao ponto de vista heróico, que não dava lugar a outras representações do povo do outro lado do continente. Talvez, a partir daquele instante, as interrogações passaram a ser ininterruptas, dando início às perguntas sobre qual papel desempenhar (…)”, escreve a autora. Nesse momento, Miguel abraça de vez seu novo território e empenha-se em desenvolver projetos voltados para a reflexão da prática fotográfica. Essa trajetória é importante para compreender o surgimento de ações como fotovarais, oficinas e a criação da Fotoativa, em 1984 – cenário germinal para as proposições artísticas e estéticas de Miguel.

Além das histórias, o livro apresenta ainda inúmeras fotografias deste início, imagens raras, pouco publicadas e manuscritos do artista. O projeto foi contemplado pelo Ministério da Cultura e pela Fundação Nacional de Artes (Funarte), no Edital Bolsa Funarte de Estímulo à Produção em Artes Visuais 2013. Junto com o lançamento do livro, uma exposição foi montada com fotografias e instalação de Miguel Chikaoka na Kamara Kó Galeria, e segue em cartaz até 28 de junho.

Confira
“Livro Navegante da Luz: Miguel Chikaoka e o navegar de uma produção experimental” está disponível em http://issuu.com/kamarakogaleria/docs/navegante_da_luz_issuu.

Visite
Exposição “Navegante da Luz” na Kamara Kó Galeria (Trav. Frutuoso  Guimarães, 611 – Campina) até 28 de junho , de terça a sexta, das 15 às 19h; sábado das 10h às 17h. Entrada franca. Classificação: Livre.

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Contatos:

– Kamara Kó Galeria: (91) 3261 4809 / 3261 4240/ 8117 9730; kamarakogaleria@gmail.com

– Marisa Mokarzel: (91) 8802 3748; marisamokarzel@globo.com

– Miguel Chikaoka: (91) 9983 3185;  mchikaoka@gmail.com

Assessoria de imprensa

Dominik Giusti

(91) 8107-8710

dominikgiusti@gmail.com

Categorias: Exposições

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