O instante que antecede a queda, o torpor a dois passos de uma altura abissal ou medo de se deixar cair. Foi essa a sensação que o fotógrafo Alberto Bitar sentiu ao contornar pela primeira vez os morros e falésias que margeiam o litoral de Lima, capital do Peru. De dentro da janela do carro, Bitar foi, mais uma vez, tragado pela paisagem natural que o fez refletir sobre questões relativas a sua obra: o existencialismo, a impermanência e a transitoriedade. O resultado é Súbita Vertigem, trabalho inédito vencedor do Prêmio do Banco da Amazônia de Artes Visuais 2015, que será exibido para o público a partir do dia 05 de novembro, no espaço da instituição.

Diante da plasticidade do complexo de falésias que separa por uma altura média de 30 metros o litoral pacífico da área urbana do bairro de Miraflores, o artista se deixou impressionar justamente pela trama da tela de proteção que envolve os morros para evitar que pedras da formação rochosa caiam morro abaixo e provoquem acidentes. A camada aparece quase como um tecido ou pele de uma paisagem surpreendente para o olhar estrangeiro.

A obra marca o retorno do fotógrafo para a produção de imagens em preto e branco, recorrida pelo autor pela última vez no ano de 2009, quando participou do trabalho coletivo Japanamazônia, publicado pela Kamara Kó Fotografias, junto a Miguel Chikaoka e Paula Sampaio. Desde então, o fotógrafo vinha aprofundando sua pesquisa sobre imagem em movimento nas séries coloridas em que utilizou a longa exposição do equipamento fotográfico.

Se, esteticamente, Súbita Vertigem se afasta de séries anteriores, quando traz para o expectador uma sequencia de imagens em preto e branco, estáticas, com foco bem definido na formação geográfica; subjetivamente o trabalho recente se relaciona com toda a obra autoral do fotografo ao tratar também de questões existências presentes em exposições anteriores, como o Corte Seco (2013) ou Efêmera Paisagem (2009), essa última também vencedora do Prêmio Banco da Amazônia de Artes Visuais.

 

 

Alberto Bitar

Vive e trabalha em Belém, PA. Formado em Administração de empresas pela Universidade da Amazônia – Unama (Belém PA). Atualmente ocupa as funções de editor de fotografia do Jornal Diário do Pará e colaborador da Agência Kamara-Kó fotografias. Entre 1994 e 2011, promoveu 10 exposições individuais, dentre elas “Sobre o Vazio”, na Associação Fotoativa (2011, Belém, PA), “Efêmera Paisagem”, no Espaço Cultural do Banco da Amazônia (2009, Belém, PA) e “Passageiro”, em Galerias de fotografia da FNAC de diversos estados brasileiros. Possui em seu currículo diversas exposições coletivas, premiações, e suas obras encontram-se em importantes instituições nacionais.

Categorias: Exposições

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