Publicado em: 30/08/2019

As muitas tentativas humanas de vencer a distância e o tempo pela via postal estão representadas nas obras das artistas visuais Keyla Sobral, Danielle Fonseca e Flavya Mutran, que integram a exposição “Minha Primeira Obra”, cuja 4ª edição foi aberta no início deste mês na Kamara Kó Galeria , onde neste sábado, 31, a partir das 10h, as três artistas batem um papo com o público, com mediação de Marisa Mokarzel.

Objetos, desenhos e imagens digitais transitam pelo silêncio e a busca de compreensão e esperança. Na galeria entre outras imagens está um objeto, uma caixa de correspondência antiga, onde está escrito em aço a frase “Maria Bethânia, please send me a letter”, uma referência a canção que Caetano Veloso fez durante seu exílio em Londres. “Peço que o expectador escreva uma carta dialogando com o momento atual do Brasil – por favor me escreva uma carta, eu preciso acreditar que as coisas vão melhorar”, comenta Danielle Fonseca, autora da obra.

A artista já recebeu o Grande Prêmio do Salão Unama de Pequenos Formatos, em 2011, e antes, o Prêmio Aquisição Salão Arte Pará, em 2001 e 2003. Já participou de festivais no Brasil, Escócia, Espanha, Lituânia, Finlândia e Portugal, e de mostras e salões, como o 24º. Salão Anapolino de Arte, no qual foi selecionada, e coletivas, como a Vaivém no Centro Cultural Banco do Brasil, com curadoria de Raphael Fonseca, ambas encerradas no final do mês de julho.

“Estou desenvolvendo uma série de caixas de correspondências novas como esta que está exposta na Kamara Kó e uma próxima com relação ao escritor João Guimarães Rosa”, diz Danielle, cuja poética traz elementos da literatura, poesia, filosofia, da música e da paisagem.

Flavya Mutran, que reside em Porto Alegre (RS) desde 2009, participará da programação pela internet, o que dialoga muito bem com o perfil do trabalho que ela desenvolve, a partir de pesquisa e docência na área da fotografia e meios de comunicação, com interesse particular nas relações entre palavra e imagem na web. Os três trabalhos que estão nesta exposição são da série There’s no place like 127.0.0.1, que tratam de autorrepresentações em ambientes de Redes Sociais.

“Fotografo os ambientes virtuais em longas exposições que viram novas imagens, superpostas aos reflexos do meu próprio ambiente de trabalho ou de espaços onde circulo. Atelier do Instituto de artes, a parede do meu quarto, corredores da universidade, e por aí vai. São imagens nômades, capturas efêmeras entre as infindáveis portas que se abrem via web. É difícil distinguir onde está o reflexo do outro e onde está minha própria sombra. É na superfície fotográfica que esses mundos se misturam numa coisa só” diz a artista.

Já Keyla Sobral comunica suas referências e ideia de mundo, trazendo como linguagem artística, desenhos, fotografias, leds, neons, a palavra e a autoficção. “O que me instiga é o compartilhamento dessas narrativas com as pessoas, a criação de um silêncio, uma pausa – dentro de um mundo tão acelerado, para um diálogo fraterno”, comenta.

Ano passado, Keyla ganhou o prêmio Bolsa de Pesquisa e Criação da Fundação Cultural do Pará, que culminou na Individual “Outra Margem Outro Um”; esse ano ela participou da exposição coletiva Experiência Vertigem, no Museu da Ufpa, e, atualmente participa de uma exposição coletiva “O Designo e a Matéria”, em João Pessoa, e do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, aqui em Belém.

A mediação contará com Marisa Mokarzel, doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará e mestre em História da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi até  2017,  professora e pesquisadora do Mestrado em Comunicação, Linguagens e Cultura e Professora de História da Arte do curso de Artes Visuais e Tecnologia da Imagem, ambos da Universidade da Amazônia – UNAMA. Atualmente é professora visitante da Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do Pará – UFPA.

Sobre a Kamara Kó Galeria – Criada com objetivo de ser um interlocutor na aquisição de obras artísticas, assessorando clientes interessados em desenvolver os conhecimentos para uma boa apreciação da arte fotográfica, a Kamara Kó reúne, hoje, em seu quadro, artistas premiados e renomados nacional e internacionalmente. O projeto Minha Primeira Obra foi criado em agosto de 2016 com objetivo de incentivar a formação de novos colecionadores de arte, pesquisadores e público em geral amantes de arte.

Serviço
Projeto Minha Primeira Obra – Bate Papo com as artistas Flavya Mutran, Keyla Sobral e Danielle Fonseca. Medição: Marisa Mokarzel. No sábado, 31 de agosto, ás 10h, na Kamara Kó Galeria – Trav. Frutuoso Guimarães, 611, entre Riachuelo e General Gurjão.

Deixe um comentário:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *